UTDP 68 … 71…73…74… 79… uma prova especial
Normalmente os momentos que antecedem a partida das grandes
provas são vividos de forma entusiástica com speacars dotados de aparelhagens
de alta performance a debitar muitos decibéis para levar a malta até ao “ponto
de rebuçado”. No UTDP não é assim, o Joca fala baixinho e cada um de nós tem a
responsabilidade de passar a palavra o colega de trás.
Nas grandes provas o pessoal parte em grande velocidade e
desiste rápido porque gastou todas as energias no inicio, no UTDP o pessoal
parte em ritmo lento pois é preciso avisar os colegas que estão mais atrás que
a prova já começou.
Nas grandes provas o transito normalmente é cortado para a
prova se poder realizar em segurança, no UTDP o pessoal tem que para e deixar
passar o transito local .
Nas grandes provas normalmente não vemos os senhores das terras,
encontramos avisos para abrir a cancela, passar e fecha-la novamente, no UTDP não
há cancelas para abrir e fechar mas quando atravessas determinados territórios és
acompanhado de muito perto desde o momento em que entras no território até ao
momento em que dele te despedes, os pastores de 4 patas não fazem por menos!
Nas grandes provas, as distancias e os traçados são
previamente certificados e publicados para se evitarem surpresas, no UTDP o
fator surpresa está presente em tudo, as distancia, as barreiras horárias,
enfim todo o traçado vai sendo desvendado à medida que a prova se desenrola
tornando-a mais desafiante e como as informações vão chegando à moda antiga
pelo passa palavra podes ter que realizar o troço a jusante da estrada nacional
321 a rasgar, de faca nos dentes, apenas porque o individuo que ia à tua frente
te informou que o tempo de corte estaria
a queimar, de tal forma que nem molhes os pés e tenhas necessidade de saltar
para dento de uma presa de água apenas 200 m após sair do rio - nem é bom…
Nas grandes provas é relativamente fácil prever o tempo de prova
e a classificação que vamos fazer, no UTDP se há coisa onde à partida não tens
qualquer capacidade de prever é a classificação final e o tempo necessário para
realizar a prova. Pode até acontecer que à partida estejas a contar com uma boa
classificação e termines a vassourar o “parcours”
Não e uma prova qualquer é uma prova que se desenvolve num
cenário fantástico e com um percurso pensado de forma a fazer dela uma das mais
belas provas de trail deste país, mas também das mais duras e desafiantes.
Não é uma prova que decorra de acordo com as mais recentes tendências,
antes pelo contrário, é uma prova em que ás vezes nos sentimos transportados para
a idade da pedra, é uma prova em que parece que ninguém sabe o que são números,
uma prova em que tens de ter bem presente os princípios básicos do trail,
nomeadamente aquele principio que basicamente refere que na montanha ninguém fica
para trás, porque nunca sabes quando
vais ser confrontado com a seguinte questão, podemos fechar o PA ou ficou alguém
para trás? – é que do PA anterior nos informaram que, o Sr., de azul, (não o dorsal
28 ou o Silvério mas Sr. de Azul) a ia a
fechar a prova.
Enfim tem quase tudo para ser a melhor prova de Trail do País
e provavelmente irei voltar porque apesar de tudo consegui fazer melhor do que
no ano anterior divertindo-me imenso…
